Programa Andebol 4Kids – Alentejo

  1. APRESENTAÇÃO
    A Federação de Andebol de Portugal (FAP) enquanto entidade responsável pelo
    desenvolvimento de uma das modalidades desportivas de maior implantação nacional,
    encontra-se empenhada no estabelecimento de protocolos de desenvolvimento regional,
    que conduzam ao aumento da prática desportiva de crianças e jovens.
    Nesse âmbito têm sido estabelecidos contatos com autarquias, agrupamentos escolares,
    clubes, associações, etc., cujas dinâmicas, a nível local, possam contribuir sinergicamente
    para a implementação de planos de desenvolvimento do andebol, a nível das várias regiões.
    No âmbito do seu programa RUMO 2028+ a FAP apresenta o seu projeto ANDEBOL4KIDS
    como instrumento central de fomento e desenvolvimento da modalidade. O projeto
    pretende assumir um papel de catalisador de uma cooperação nacional, através de
    estratégias de desenvolvimento que envolvem localmente Escolas, Autarquias, Associações,
    Clubes e a Federação. Pretendemos com esta envolvência apostar na implementação da
    modalidade e que a prática do andebol, sobretudo com enfoque no meio escolar, permita
    corrigir assimetrias regionais de oferta desportiva, fomentando o desporto em territórios
    sociais e demográficos mais desfavorecidos, potenciando assim o sucesso escolar e a
    influência social do desporto como fator de inclusão social.
    Imbuídos deste espirito aglutinador de desenvolvimento desportivo local, os responsáveis
    pelos projetos desenvolvimento regional Alentejo, propõem-se organizar em parceria com
    as autarquias locais um projeto denominado «CIRCUITO ANDEBOL4KIDS ALENTEJO».
  2. OBJETIVOS GERAIS
    O «Circuito Andebol4Kids Alentejo», independentemente de outra denominação ou
    enquadramento teórico possível de estabelecer, visa os seguintes objetivos:
    a) Criar um espaço de convívio e de estímulo à prática desportiva dos jovens, no âmbito
    intermunicipal;
    b) Contribuir para dar visibilidade à organização de atividades físicas e desportivas com o
    apoio das autarquias locais;
    c) Estimular a afirmação e desenvolvimento do Movimento Associativo e das autarquias
    locais, na democratização do Desporto e no Desenvolvimento Desportivo;
    FEDERAÇÃO DE ANDEBOL DE PORTUGAL – CIRCUITO ANDEBOL4KIDS ALENTEJO 3
    e) Desenvolver formas de organização, troca de experiências, projetos e atividades
    desportivas de âmbito intermunicipal entre as Câmaras Municipais da Região do Alentejo;
    f) Promover o andebol enquanto modalidade de elevado valor formativo, contribuindo para
    a sua implantação regional e para o aumento, em ambos os sexos, da oferta desportiva dos
    vários municípios da Região do Alentejo;
  3. OBJETIVOS ESPECIFICOS
    a) Estruturar uma rede/circuito de Festands, coordenados territorialmente, por forma a
    permitir a maior acessibilidade possível de todos os projetos de desenvolvimento em
    curso;
    b) Potenciar a partilha de recursos e experiências entre os vários projetos de
    desenvolvimento, alavancando estratégias de benefício reciproco que contribuam para
    o sucesso de implantação da modalidade.
  4. ESTRUTURA ORGANIZATIVA
    Pretende-se que o «Circuito Andebol4KidsAlentejo» enquadre a realização de várias etapas,
    considerando-se que a ultima das mesmas corresponda a uma Festa de Encerramento.
    A coordenação geral do circuito será da responsabilidade dos técnicos dos planos de
    desenvolvimento regional, em parceria com os responsáveis locais de cada um dos projetos
    envolvidos, podendo para o efeito ser constituída uma Comissão Técnica, com elementos
    das várias estruturas.
    Cada etapa do circuito será enquadrada por uma estrutura local, com o apoio da referida
    Comissão Técnica, quer em termos logísticos, quer técnicos.
    Cada etapa será aberta à participação livre de cada clube/projeto, de acordo com as
    responsabilidades definidas em Regulamento Geral.
    Em cada etapa será implementado o modelo de FESTAND, ou seja, uma atividade lúdicopedagógica, desenvolvida num ambiente recreativo e divertido, onde a criança descobre a
    prática do Andebol e das suas habilidades motoras, através do carater formativo do próprio
    jogo. Considerando que para as idades consideradas a competição não é parte principal do
    processo de desenvolvimento da criança, mas sim, a promoção de atividades/eventos que
    promovam a modalidade e o convívio entre participantes, todas as formas de competição
    FEDERAÇÃO DE ANDEBOL DE PORTUGAL – CIRCUITO ANDEBOL4KIDS ALENTEJO 4
    serão adaptadas ao desenvolvimento da criança como atleta não existindo resultado nos
    jogos (ausência de marcador) e consequentemente não existindo apuramentos para fases
    subsequentes. Todas as formas de competição serão organizadas sob uma premissa de
    integração e não de exclusão.
    Assim, o desenvolvimento da competição será efetuado na versão mais simplificada da modalidade, o jogo «4×4», que a FAP acredita ser o ponto de partida para iniciação à
    modalidade.
  5. DATAS E LOCAIS DE REALIZAÇÃO
    A definição de cada etapa do circuito, em termos de data e local, será efetuada pela
    Comissão Técnica, em parceria com os técnicos dos municípios envolvidos.
    Perspetivando-se uma gestão equilibrada de Festands disponíveis, a realização de cada
    etapa deverá ocorrer semanalmente.
    Caberá a cada responsável técnico pela sua área de jurisdição, estabelecer o calendário da
    mesma, para que este seja integrado na calendarização final.
    No final de cada trimestre realizar-se-á um Mega Festand (dia inteiro), de acordo com a
    seguinte calendarização:
    Dezembro – Distrito de Beja
    Abril – Distrito de Évora
    Junho – Distrito de Portalegre
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“O Desporto tem todo o nosso apoio”

Artigo de Opinião do Presidente da Federação de Andebol de Portugal, Miguel Laranjeiro, no jornal Público.

Com o anunciado corte dos patrocínios às modalidades desportivas por parte da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, que até tem como slogan “O Desporto tem todo o nosso apoio”, foi levantado um problema que é crónico, não tem tido soluções duradouras e merece reflexão: o financiamento do Desporto em Portugal.

O secretário de Estado do Desporto fez bem em pedir uma reunião com a Provedora da SCML, demovendo-a dos cortes anunciados, tratando-se ainda por cima de uma entidade que é tutelada pela colega ministra do Trabalho, Solidariedade e da Segurança Social.

O Desporto nunca foi um desígnio no nosso país, embora tendo matriz constitucional. É histórico. Assim, não é de estranhar que tenhamos dos piores índices de atividade física e desportiva da UE e um dos piores na OCDE no que tange à obesidade e excesso de peso. Aceitamos mortes antecipadas sem um sobressalto cívico.

Entretanto, ao nível do financiamento estatal da atividade desportiva, ainda não atingimos os valores anteriores ao tempo da troika. Esta ainda não saiu definitivamente do Desporto e precisamos urgentemente de virar esta página para nos aproximarmos de valores mais consentâneos com os melhores padrões europeus. A falta de desígnio vê-se também na inexistência de verbas para o setor no Plano de Recuperação e Resiliência (PRR). 

Importa realçar que o Desporto dá muito mais ao país do que os governos têm dado ao Desporto. Se todas as atividades fossem assim, seríamos um paraíso de país.

Temos de olhar para o financiamento e valorizar a diversidade desportiva. Ao deixar ir à bolina da realidade, vamos caminhando para uma unicidade desportiva (mais ou menos aprofundada), o que contraria princípios que todos defendemos, como a igualdade de oportunidades ou a diversidade desportiva. O Estado tem aqui um papel central. Ninguém o pode ou irá substituir. Se quer defender esses valores, tem de agir rapidamente, replicando, por exemplo, o modelo espanhol em que uma percentagem das receitas da Liga Profissional de Futebol é direcionada para um fundo de apoio às restantes modalidades.

Com o atual modelo, definido pelo próprio Estado (e não por qualquer Federação), a quase totalidade do financiamento anual do IPDJ vem dos valores das apostas, através dos jogos on-line. É assim criada uma imprevisibilidade gritante e de difícil gestão. Por isso o setor do Desporto (e até partidos políticos como o PCP, diga-se) têm defendido o aumento, com real significado, dos valores no próprio Orçamento do Estado. Como se vai iniciar a discussão do próximo OE, pode estar aqui uma boa oportunidade. Como sucedeu no caso do Ministério da Cultura, é esta a via principal que deve ser adotada, garantindo que o Desporto passa a valer mais do que os  0,0421% do atual OE 2023. Comparemos este valor, por exemplo, com os cerca de 2% que a Hungria, um país de dimensão semelhante ao nosso, investe anualmente.

Deve também haver coragem de olhar para os jogos on-line e aumentar a percentagem que corresponde ao Desporto. É uma discussão antiga, mas mais atual do que nunca. Sem Atletas, Clubes ou Federações, não há jogos, nem provas em que apostar. E não há transferências para o Estado. É ou não justo que parte com mais significado regresse à origem, para promover o desporto junto dos jovens?

A iniciativa privada pode e deve ser chamada a esta responsabilidade social. Não basta ter apenas intenções ou proclamações, mas para isso é necessário que seja um investimento apelativo também do ponto de vista fiscal. Espanha criou essa dinâmica na preparação dos Jogos Olímpicos de Barcelona em 1992 e 30 anos volvidos continua a colher frutos com resultados de exceção, na generalidade das modalidades individuais e coletivas.

Mas há mais para além do financiamento. O Desporto Escolar devia ser a porta de entrada dos jovens nas várias modalidades e é cada vez mais um funil sem chama nem entusiasmo. Um projeto que integre os clubes locais, as associações e federações desportivas, as autarquias, num movimento de proximidade e de integração. O Desporto é sempre motor de inclusão e de igualdade, e essa é a nossa responsabilidade coletiva.

Estará ainda em discussão a renovação do contrato de serviço público de Televisão. Altura para discutir a introdução de um canal de desporto, em sinal aberto, para todas as modalidades. Conteúdos não faltarão. E com a promoção do verdadeiro desporto e não com discussões estéreis. O Desporto e as diversas modalidades precisam dessa visibilidade. Também aqui poderíamos falar num apoio importante ao desporto. 

Temos sempre medo de enfrentar a mudança. É da natureza humana. Mas aqui a mudança é em nome do futuro das atuais crianças, que daqui a 30 anos vão perguntar quem estava nas instituições de poder neste país em 2023, com capacidade de decisão, pois estarão a sofrer a falta de políticas desportivas do presente.

Gostava que houvesse um sobressalto cívico. Mesmo em tempo de verão.

O que é preciso afinal? É que em Portugal o slogan “O Desporto tem todo o nosso apoio” passe a ser uma realidade no país. É que o Desporto é de “todos, todos, todos”.

Miguel Laranjeiro
Presidente da Federação de Andebol de Portugal 

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